sábado, 14 de abril de 2012


“Aquele Beijo” termina com uma história nada empolgante

Cláudia pede o celular de Vicente emprestado no aeroporto, onde se conhecem no primeiro capítulo.
A vilã Maruschka (Marília Pêra), que desprezou Ana Girafa (Luís Salém) após descobrir que ela era seu filho desaparecido.
Com uma história central fraca, alguns exageros e atuações dispensáveis, o folhetim encerra sua jornada após 6 longos meses sem despertar empolgação no telespectador. Apesar das inúmeras críticas, há quem considere que não foi um trabalho ruim por parte da equipe.
Rubinho (Victor Pecoraro).
Há pontos super positivos que devem ser levados em conta. Como a personagem Ana Girafa (Luís Salém), uma transexual que dava graça ao seu núcleo e ao mesmo tempo, algumas cenas de emoção. Desde o começo da história tinha em questão o fato da vilã Maruschka (Marília Pêra) ter abandonado seu filho, homem, ainda bebê. Mais tarde veio á tona que seu filho desaparecido era José Rubens, a própria Ana Girafa. Ao saberem disso, filho (a) recebeu desprezo da mãe, que no final acabou se redimindo. Ana sem dúvidas foi um dos grandes destaques da trama.
A falsa Damiana, Maria Antonia (Bia Nunnes) mata seu grande amor Felizardo (Diogo Vilella), após ele descobrir sua farsa.
Outro núcleo que chamou a atenção foi o da divertida turma do Covil do Bagre, em especial seu Felizardo, um homem rude que foi enganado por sua falsa irmã Damiana (Bia Nunnes), que que tomou o lugar da verdadeira para se dar bem ás custas do paraibano, sendo assassinado por ela ao descobrir toda a verdade nos últimos capítulos. No Covil, a odiada Olga (Maria Zilda) maltratava as crianças do Lar, administrado por sua irmã Otília. A atrapalhada Mãe Iara (Cláudia Jimenez) dominava a cena com suas safadezas, ao lado de seu primo esquisito Joselito (Bruno Garcia).
Belezinha (Bruna Marquezine) e Agenor (Fiuk).
Destaco também a atriz Leilah Moreno, na pele da inescrupulosa Grace Kelly. Enquanto isso, Bruna Marquezine, apesar de não ter tido tanto espaço como merecia, conseguiu novamente mostrar a que veio e demonstrou maturidade, já notada antes em outros trabalhos. Sem falar na abertura, que revelava cenas clássicas e inesquecíveis de beijos da teledramaturgia da emissora sob a música “Garota de Ipanema”, na voz da apresentadora Xuxa e de Daniel Jobim. Apesar de muitos terem soltado o verbo contra, não desprezo o talento de Grazi Massafera na pele de Lucena. A atriz aos poucos vai melhorando sua atuação e conquistando seu espaço no coração do público. Mas sem dúvidas, quem ainda não citei, Giovanna Antonelli e Ricardo Pereira, na pele do casal protagonista Cláudia e Vicente estavam ótimos e tiveram uma química surpreendente. Palmas para os dois.
Vicente (Ricardo Pereira) e Cláudia (Giovanna Antonelli).
Voltando a falar da novela, pode não ter cumprido sua missão de manter o horário em alta, deixado por suas antecessoras, mas teve seus acertos e méritos. Não vai demorar muito para ela ser esquecida pelo telespectador assim como tantas outras, mas algo é certo: Miguel Falabella soube evoluir com seu trabalho e criou uma trama diferente de “Negócio da China”, a quem fugiu da realidade e decepcionou geral. Se comparando com as outras duas principais novelas da emissora, “Avenida Brasil” e “Amor Eterno Amor”, “Aquele Beijo” não teve onde se encaixar. Só não falarei mais coisas pois senão tornará isso muito repetitivo. A última coisa que devo acrescentar é a derrapada do humor na trama, que foi a grande chave para seu sucesso, mas não conseguiu decolar.
Como mais uma decepção, entretanto, é só esperar que Miguel talvez um dia chegue a escrever novos sucessos. Até lá, é melhor ele focar em seus seriados, que são quase sempre elogiados. Vide “Toma Lá Dá Cá” e “A Vida Alheia”.

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